Chromebook, o capataz da internet


Mesmo que já lançado em sete países – portanto nenhuma novidade -, acredito que seja importante iniciar um pequeno debate acerca dos objetivos da última invenção do Google: o Chromebook. Lançado com o intuito de servir apenas ao acesso à internet, o Chromebook é a aposta da empresa de tecnologia americana no ramo da informática. Mas não se engane. Esse computador, que a princípio será desenvolvido pela sul-coreana Samsung e pela taiwanesa Acer, não se ocupará de funções elementares, como salvar arquivos e rodar programas de edição de texto. Em resumo, será um capataz da internet. 

Quando soube disso, logo me perguntei: mais um? Mais um aparelho para carregarmos de um lado para o outro? Os celulares e as tablets parecem ter suprido essa necessidade pelo acesso instantâneo ao mundo digital. Já os computadores, que ficam em nossas casas ou em nossos escritórios, parecem ter atingido níveis tão sofisticados de arquivamento de dados e capacidade de processamento, que não precisariam de substitutos, além, logicamente, das suas futuras gerações. Todos esses aparelhos – Iphones, Ipads, Galaxy Tabs, PC’s e etc - buscam realizar o maior número de tarefas no menor tempo possível. Isso, sem dúvidas, foi o que garantiu o sucesso entre os consumidores. 

Um outro olhar, no entanto, revela as potencialidades do aparelho. Daqui em diante, o curso da viagem tecnológica mudará. Estaremos muito mais interessados em softwares (programas) do que em hardwares (aparelhos). O próprio Google criou mecanismos de gerenciamento de arquivos, como o Google Docs, que permitem ao usuário editar e salvar programas de textos, slides e dados estatísticos na internet, sem que eles recorram à memória e processamento físicos de seu computador. Para o Google, tudo tende a se concentrar na internet: da agenda de contatos aos jogos. Nós viveremos na internet, logo nossos computadores não precisarão de outros recursos. Este é o novo mundo em que a empresa parece apostar no momento. 

A partir dessa tacada, estaria o Google fadado à contramão daquilo que sempre priorizamos? Bom, se nos basearmos nos últimos sucessos de vendas, provavelmente sim. Entretanto, é cristalino o fato de que o olhar apaixonante da empresa sobre a internet será essencial para que lancemos de vez nossas vidas, tanto pessoal quanto profissional, no meio digital. A obra-prima ainda está longe de chegar ao Brasil, diferentemente da discussão, que, inflamada, acabou de sentar à nossa mesa.

Motta
+Motta

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