Lemmy e Amy



Semana retrasada assisti ao documentário "LEMMY: 49% Motherfucker. 51% Son of a Bitch" e imediatamente pensei em escrever sobre aqui no Radiola. 

Eu acho que ainda farei isso, mas no final de semana seguinte veio a notícia da morte da Amy Winehouse. Apesar de não haver motivo para compará-los, não posso não pensar nas similaridades e diferenças entre os dois. 

Lemmy e Amy. 

Ambos são britânicos. 

Músicos. 

Duas vidas com excessos de álcool e drogas. 

Dois talentos muito acima do normal, cada um na sua praia. 

As semelhanças porém, param por aí. Nascidos a 38 anos e 250km de distância, Lemmy criou um estilo enquanto Amy era louvada por resgatar, através de sua voz, uma época perdida. Um é sinônimo de peso, outra era vinculada ao soul e ao groove. 


Porque compará-los se Lemmy está no seu 46º ano de carreira e Amy não passou do oitavo? Porque fazer uma coluna conjunta se a maldição dos 27 anos passou longe de Lemmy e se nessa idade ele entrou no Hawkwind, passou a tocar baixo e começou a mudar a história do rock? 

Muito simplesmente, não há motivo razoável. Assim como não havia um para que Amy chegasse ao seu fim com apenas dois álbuns. Agora nem podemos imaginar o que faria se alcançasse 46 anos de carreira com sua voz singular. 
Mas se boa parte da imprensa achou válido comparar Amy com Jim, Janis, Kurt e Jimi (do qual Lemmy era roadie e, por vezes, lhe conseguia drogas), me sinto no direito de confrontar dois mundos com aspectos semelhantes e resultados muito diferentes. 

Se Amy pode ser comparada com o “clube dos 27” pela idade em que morreu, Lemmy pode estar em uma mesma lista que eles pelo impacto que teve na história da música. 

Mas ela poderia ter chegado lá. Amy ganhou muita fama cantando um estilo muito diferente daquilo que o mainstream vendia, e mesmo assim fez o mainstream a amar pelo seu talento (e os paparazzi pelos escândalos).
Além de influenciar e pavimentar o caminho para algumas cantoras, ela ganhou cinco prêmios Grammy por seu Back in Black (que é realmente excelente) enquanto Lemmy conseguiu apenas um com o Motörhead (e ainda por cima foi por um cover de Metallica). Posso apostar que a chance de Amy ganhar Grammy’s póstumos é muito superior que a de Lemmy ganhar outro em pé. 

Se Lemmy é considerado por muitos o pai do Heavy Metal, Amy não ficou tempo suficiente para ser mãe de nada. 

Agora só nos resta dizer: 

Amy, rest in peace. 

Lemmy, here’s a toast of JD. 

and thanks for the music.

#momentoshortinhos

Rodrigo

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